Relato de parto sem dor: Luma, a luz por trás de todas as coisas

Iniciei este texto como um relato do nascimento da minha filha mais nova, mas em determinado momento percebi que o tema em questão era as portas que se abriram no meu interior desde que este serzinho Luma de mim se aproximou! Este relato reflete parte do embarque no mundo materno com a consciência de que nossos filhos já na gestação, ou mesmo antes dela, enchem-nos de bênçãos, de cura e de amor a cada passo!

Escrever um relato de parto é como abrir as páginas de um livro mágico. É recordar-se e voltar a viver aquelas emoções daquele dia tão especial!

São tantas as dinâmicas que contribuíram para que o nascimento da Luma acontecesse de maneira tão suave e respeitosa, e falar delas é o que completa esta história.

 

O ANTES

Emilia, nossa primeira filha, já estava com quase três anos e a vontade de sermos pais de novo crescia dentro de mim e do meu marido.

Tive a primeira gestação e parto de maneiras positivas e naturais, mas ainda sentia que estava rodeada de imagens e crenças limitantes ligadas ao tema e eu desejava desfazê-las, rompê-las.

Uma das crenças que tinha é a de que sentir dor fazia parte do processo do parto. Tendo ciência disso, sabia ser necessário, e desejava, vivenciar minha “próxima vez” com ainda mais conexão e amor com a minha essência feminina e atenta a minha história como mulher.

 

A CONCEPÇÃO

Tudo, o iniciozinho de tudo, começa em uma fogueira de São João na Vargem do Rio do Braço em Santo Amaro da Imperatriz (SC). À época procurávamos um espaço para morar neste lugar especial e nesta noite, na casa de amigos, fiz uma cerimônia quietinha em meu coração.

Depois das crianças terem buscado lenha, galhos e pinhas, eu preparei o fogo. Fiz tudo com muita presença e honra a esta força da natureza. Fui cantando e chamando a Deusa Kali que, segundo a tradição hindu, habita o corpo das fêmeas com sua energia de procriação da vida. Eu a convidava para me visitar também.

Foi uma noite especial, de céu estrelado, de fogo soltando faíscas como pirilampos e de música boa ao redor da fogueira. Dois meses depois – uma semana depois de ter voltado para a Alemanha – engravidei!

O primeiro teste deu negativo, mas, dez dias depois, fiz o segundo teste e pude confirmar o que já sentia desde aquela linda manhã de agosto quando eu e meu marido fizemos amor.

 

AS MULHERES DA MINHA VIDA

Minha primeira filha nasceu na Alemanha e, com isso, não pude viver muitos dos momentos especiais do início da maternidade com a minha mãe, que mora no Brasil. E já para uma possível segunda concepção, em um determinado momento, tinha surgido em meu coração o desejo de tê-la ao meu lado.

Tive certeza que sua presença, sua força e amor me emanariam muita segurança neste momento tão feminino, tão da nossa linhagem feminina.

 

NASCIMENTOS DE CESÁREA E POSICIONAMENTOS

Na década de 60 minha avó passa por duas cesárias, meu tio e minha mãe nascem. Na década de 80 e 90, é a vez da minha mãe passar pela mesma experiência de cesária, onde eu e meu irmão nascemos.

Este tema no começo das minhas descobertas e empoderamento chegou a me distanciar de minha mãe em um plano, já que eu assumia uma postura de militante “da causa do parto natural” e de uma maneira ou de outra, eu acabava por julgá-la ou questioná-la pela sua escolha na vida. Mais amadurecida, desta vez a minha intenção não era de mostrar-lhe “como se faz”, ou “que o meu jeito era o certo!”. Evolui.

Sabendo agora de toda questão política e histórica deste assunto, e acabar por julgar minha própria mãe – ou mesmo qualquer outra mulher em sua história – seria muita falta de humildade e empatia!

 

ELAS E EU (E O RAPHA)

O meu desafio, tendo minha mãe no meu parto em casa, seria de manter minhas escolhas e cultivar o desejo de criar um espaço de muito amor, respeito e união entre nós duas.

Eu estava ciente também da delicadeza do momento do parto e da enorme influência que uma acompanhante pode exercer nestas horas delicadas. A acompanhante pode tanto ajudar como atrapalhar muito! Conversei, então, com meu marido e ele topou que ela estivesse junto – e ele seria o único homem no meio de tanta mulher!

 

O CONVITE, A RESPOSTA E A SURPRESA

Quando convidei minha mãe ainda antes de ficar grávida para me acompanhar em um próximo parto ela me disse que “iria pensar”, pois mexeria muito com ela “me ver sofrendo” – era a imagem que ela tinha do parto!

Quando fiquei grávida refiz o convite e dias depois de tê-lo feito ela me ligou e disse que gostaria, sim, de estar junto e que minha avó, ao saber que minha mãe viria para Alemanha me visitar, também gostaria de estar conosco!

Gente, que surpresa! Pensei cá com os meus botões: “será que estaria pronta para ter mãe E avó no parto?”, ”será que não seria arriscar demais?”.

Já havíamos optado por um parto domiciliar – e dependendo da energia de cada um presente, o medo poderia rapidinho se espalhar de um para o outro.

 

A INVESTIGAÇÃO INTERNA

A prática da meditação (especificamente da meditação das rosas) e da leitura de aura no meu dia-a-dia – durante os dois anos anteriores da minha gestação – foram muitíssimo importantes no meu processo de autoconhecimento, alinhamento e conexão.

Pude entender nesse tempo muitas questões da minha história, limpar muitos medos e conectar-me com minha força interior.

Nesse tempo comecei a cultivar um estado de mais calma, confiança e alegria dentro de mim!

Anteriormente ao aceite, com essa questão da minha mãe poder “vir ou não” para cá, resolvi pedir uma amiga e terapeuta de leitura de aura, para que fizesse uma leitura temática sobre a questão, pois afinal elas viriam por seis semanas (um mês e meio) – que perpassavam o final da gestação + parto + começo do pós-parto. Sim, teria tudo para dar certo ou tudo para dar errado!

Vendo que precisava isso entender, questionei-me: “o que havia por de trás dessa história?”, “o que havia ali de chance de cura?”, “a o que eu realmente deveria me ater?”, “como tudo isso mexia comigo?”.

Obtive as minhas respostas, o que me deixou mais calma e presente para todo este lindo processo!

 

A GESTAÇÃO

Gestar a Luma foi uma das experiências de mais paz que pude sentir. Quando abro meu diário da época é tanta gratidão e conexão que vejo com este bebê!

Claro que, como todo ser humano, tive meus dias estranhos, de mau-humor, um sobe e desce dos hormônios etc., mas, de maneira geral, sinto como sua presença – mesmo ainda na minha barriga – emanava muita luz e amor pra mim!

Já fazia muito tempo que não comia carne, mas algumas vezes no ano eu “deslizava” e acabava por comer. Até aquele momento ainda faltava uma compreensão interna para conseguir dizer “não” para a carne de maneira leve e clara. Então, na gravidez deste bebê (não sabíamos o sexo dele) eu simplesmente não conseguia mais comer carne. Escutava uma voz dentro de mim, nos momentos que tinha um pedaço de carne no prato, que me dizia: “tu carregas um ser de puro amor dentro de ti. Para que te alimentar de dor e de morte?”. Para mim, foi neste momento que fez o “clic” necessário interno e pude encontrar força e clareza para realmente parar de comer qualquer tipo de carne.

 

A ALEMANHA E A GESTAÇÃO

Gestar na Alemanha é um luxo e um privilégio só, isso em comparação com a assistência recebida no Brasil. Recebi massagens, shiatsu na água (que deveria ser um direito a toda gestante, de tão linda que é essa experiência!), tivemos curso de preparação para o parto, acompanhamento mensal da parteira – e, sim, isto tudo incluso pelo seguro de saúde! E por eu não ter encontrado nenhuma médica com a qual eu me afinizasse e que pudesse me atender durante a gestação, optei por só receber acompanhamento da parteira. Ela, aliás, atende em uma casa de parto a quarenta e cinco quilômetros daqui e também realiza partos domiciliares. É uma mulher incrível, sensível, confiante, com muita experiência e que me respeitou em todas minhas escolhas.

Em abril, com a primavera alemã explodindo com suas cores e vitalidade lá fora, senti-me inteiramente conectada com esta força da natureza. Enquanto os brotinhos de flores iam se abrindo nos jardins e canteiros, sentia-me com meu barrigão um jardim vertical! Senti-me a Mãe-Terra, fértil, gestando uma sementinha dentro de mim e que logo logo brotaria. Repleta deste sentimento, convidei algumas amigas e fizemos uma festa para mim, para natureza e para o feminino em cada uma de nós. Foi um chá de bênçãos com lindas trocas, música e dança, trocas de carinho e muita força vinda delas pra mim.

 

VISUALIZAÇÃO E AFIRMAÇÕES PARA O PARTO

Tenho muita consciência de que tudo o que criamos na matéria nasceu antes em outro plano, por isso comecei a trabalhar com visualizações para o parto dos meus sonhos. Comecei a escrever no meu diário como gostaria de viver este momento. Quem estaria junto? Onde? Como estaria internamente? Comecei a “desenhar” este sonho em um plano astral, colocando vários detalhes, como, por exemplo, de que meu períneo tivesse elasticidade suficiente e se mantivesse íntegro (e funcionou, viu? 🙂 )

Além disso, coloquei no meu altar uma lista com afirmações empoderadoras. Elas viraram meus mantras por algumas semanas. Fiz tudo isso de uma maneira muito leve e natural.

Eu tinha consciência de que estava me preparando para algo muito grande, maior do que eu própria. E dentro de mim crescia, semana à semana, a possibilidade de um parto sem dor.

Acredito muito na importância deste trabalho interno antes do parto. Era preciso que eu entrasse em contato com meus medos, estivesse consciente da minha vibração e que eu conhecesse o estado de interiorização, de confiança e entrega. Caso contrário, a energia vivida no parto poderia ser tão forte e desconhecida que eu provavelmente me travaria na hora de dar à luz.

 

À CAMINHO DO PARTO

Duas semanas antes da data prevista para o parto, chega a minha mãe com a minha avó. Tivemos dias muito tranquilos e harmônicos. Eu estava muito bem. A casa já estava limpa, as roupinhas lavadinhas e dobradas nos cestos, o bercinho acoplado na cama e sentia-me muito leve e esvaziada.

Era como se minha mente estivesse em outro plano e eu não tivesse mais nada para resolver ou fazer, a não ser esperar. E esperar. E continuar esperando – e o esperar não me sufocava. Eu amava carregar este bebê dentro de mim! E como eu amava meu barrigão!

Depois de sete dias passados da data prevista (41 semanas de gestação), a parteira começou a me visitar com mais frequência. Depois de quatorze dias (42 SG) ela me falou da possibilidade (e não da necessidade) de ir ao hospital fazer um ultrassom para ir verificar se estava tudo bem com o bebê e sua placenta. Ela acreditava que estava tudo indo muito bem e tinha segurança de que o bebê continuava a receber todos os nutrientes através da placenta. Foi uma possibilidade a qual me mostrou, mas sem me colocar medo em nenhum momento, ou de tentar me obrigar a fazer isso. Como eu só havia feito um ultrassom durante a gestação, aceitei a ideia na maior inocência (ou na maior confiança).

No hospital, a parteira de plantão atendeu-me (aqui na Alemanha a sala de parto é território das parteiras! Os médicos é que são os convidados!), mas disse que o médico-chefe do departamento de obstetrícia faria o ultrassom. Concordei e fui até a sala dele. Ele fez um exame super-rápido e disse que o cordão continuava a pulsar muito bem e a placenta estava ótima. E ele disse que gostaria de me ver em dois dias se até lá o bebê não nascesse. Na hora falei que sim, pois percebi que se falasse que não, ele talvez começasse a falar dos riscos e tudo mais. Meu marido ia começar a discordar dele, mas eu dei uma aumentadinha no meu tom de voz e falei, “Sim Rapha, A GENTE VOLTA DAQUI DOIS DIAS SIM, CLARO, NÉ, SCHATZ?”, dando uma piscada para ele. Eu não podia perder aquela chance de sair correndo do hospital com um exame médico que me mostrava que estava tudo bem!

Quinze dias passados da data prevista comecei a tomar homeopatia e introduzir um absorvente interno com a pontinha molhada em óleo de cravo, para dar uma empurrãozinho no início de todo processo. Eu já sentia várias contrações “de treino”, os famosos pródromos do prelúdio, mas elas não permaneciam por muito tempo.

Dezesseis dias se passaram. E no décimo sétimo dia, uma amiga naturóloga visitou-me e fez pressão no ponto BP6 San Yin Jiao – ponto especial para muitos processos femininos, como menstruação e parto. E no fim da tarde do mesmo dia recebi de outra parteira uma massagem indiana chamada kalari – massagem ayurvédica feita com óleo de gergelim aquecido.

Então, após todo esse atendimento, ao chegar em casa fui tomar banho… e o “tampão” se soltou. OBA!

Assim como nas últimas noites, deitei-me com meu marido, conversamos com o bebê, falamos como o mundo é lindo, como a vida é bela, de quantas pessoas já o amavam, de como ficaríamos felizes em poder tocá-lo, beijá-lo, de como as flores são cheirosas, falamos do gosto das frutas, das cores da natureza… Falei-lhe, então, que podia vir, que ele conseguiria fazer esta passagem e que nós estávamos prontos para ele, para ela! Emocionei-me muito nesta última noite, por talvez saber que seria a última com este bebê dentro de mim. E fizemos amor.

 

O NASCIMENTO DA LUMA

Às 1h45min acordo feliz da vida com uma contração muito forte. Tinha a sensação de ter uma chama, um fogo aceso dentro de mim! Levantei-me, rebolei minha cintura por alguns minutos e respirei profundamente. A hora havia chegado! Liguei para minha parteira: “tudo bem Bárbara, estou em outro parto (!) mas o teu tem prioridade (ufa!). Vou ligar para minha colega para me substituir aqui e já chego aí!”.

Fui ao banheiro e fiz muito coco (leia-se MUITO). Foi uma baita limpeza que o próprio corpo produziu através das contrações. Quando saio do banheiro… quem está deitadinha na minha cama? Emilia, a nossa filha mais velha!

Falamos para Emilia que o bebê estava chegando, mas que não sabíamos quanto tempo iria demorar. Falei-lhe que ela poderia dormir e que quando acordasse o irmãozinho ou irmãzinha estaria ali. Ou que poderia ficar conosco nesta hora tão especial. Adivinha o que ela escolheu? É claro, ela quis estar presente!

Acordei minha mãe e minha avó. Minha mãe pulou da cama com os olhos arregalados – devia estar super ansiosa! Havíamos combinado dela fazer algumas fotos no parto, mas na hora eu não quis. Eu queria ficar só na minha presença e não sob as lentes de um observador. Quando vejo fotos de outros partos, lamento não poder rever esse momento tão especial. Mas, tudo bem, foi muito importante eu ter me ouvido naquele momento.

Tentamos colocar água na banheira, mas não era quente o suficiente. Enquanto o Rapha foi verificar o aquecedor e pôr água para esquentar no fogão, minha avó dava atenção para Emilia e minha mãe pra mim – quatro gerações de mulheres juntas naquele banheiro às três da madrugada!

Aquela cena linda: minha avó de pijama e descabelada, sentadinha em uma banqueta com a bisneta no colo. Lembro-me de pedir a minha mãe para massagear minha lombar. Foi um momento tão lindo, em que pude me unir a ela com todo nosso amor, amor de mãe e filha! Foi um filminho que passou por dois segundo em minha cabeça, como se tivesse visto toda nossa história e a pudesse resumir tudo em AMOR. É uma lembrança tão real, tão gostosa e sinto que consigo voltar para este lugar com muita facilidade! Mas, logo depois, meu corpo me trouxe pra aquele momento ali, para o nascimento do meu bebê.

Entrei na banheira com a água mais para fria do que para quente. Nisso chega a parteira (3h55min). Ela me cumprimenta, vê como estou, e faz a ausculta das batidas do coração do bebê. Tudo certo e indo muito bem. Nisso eu lhe digo: “Birte, eu fui tentar tocar na minha vagina e ver se já posso sentir a cabecinha do bebê, mas parecia ser uma pele lisinha. Não tinha cabelo. Será que é o bumbum?”. Ela responde-me com a sua calma e confiança: “Está tudo certo, Bárbara. E mesmo se for o bumbum, o que temos a fazer? Temos que continuar, certo?”

Acredito que pelo fato da minha mãe e avó estarem ali, ela fez questão de abrir todo seu equipamento e aparelhos que tinha à disposição para o que fosse necessário. Abriu aquela mala como se estivesse abrindo um mostruário. Pergunto-me, às vezes, se ela fez isso para que elas se sentissem mais seguras.

Saí da banheira e fui para debaixo das cobertas na minha cama para me esquentar e a parteira veio junto. Fiquei em posição fetal e em pouquíssimos minutos senti a próxima contração vindo. Como em uma dança, algo me conduziu no movimento, desci da cama, fiquei de joelhos no chão apoiada na cama.

Esse foi o único momento, através deste meu movimento, que a parteira pode ver minha vagina e o bebê coroado. Não tive nenhum exame de toque. Ela sempre me dizia que a vagina é muito sagrada e ficar “cutucando” ali para saber se o colo do útero está dilatado cinco ou oito centímetros é uma falta de respeito à mulher!

Estando presente e atenta a mim, a minha respiração, aos movimentos e às expressões, ela podia saber se eu estava relaxada e dilatada ou não.

Ela chamou o meu marido e disse “o bebê vai nascer! Quem quiser estar presente, entre no quarto e fecha a porta”.

Sob os olhares mais amorosos que podia ter ao meu lado, tive como plateia minha mãe, minha avó, minha filha de três anos e meio e meu amor, meu marido Rapha.

Na primeira contração do expulsivo faço um pouco de força e às 4h24min sai a cabecinha. Respiro, toco nela e surpreendo-me, pois a bolsa estava intacta! Claro, a bolsa não havia estourado. O que havia tocado antes era a membrana da bolsa e não o bumbumzinho do bebê! Eu estava tão dentro do meu corpo, tão presente nas ondas das contrações, que me esqueci da bolsa! Que bom!

Mantive-me ali, quietinha, interiorizada e respirando. Em meu íntimo vi imagens de mulheres dando à luz em outras culturas e tempos e senti-me parte desta tribo. Dois minutos em seguida veio a próxima contração, forte como um raio, e ao mesmo tempo suave como uma rosa que se abre. A bolsa estoura e nasce todo o corpinho do meu bebê (foram somente duas contrações na fase da expulsão, que benção!). Que emoção! Arrepio-me e emociono-me escrevendo isso.

Virei-me, peguei meu bebê no colo e o coloquei na minha pele, no meu peito – um instinto muito forte, uma vontade de dar uma fungada, uma “colada” de pele com pele. Que minutos mágicos! Parecia que o mundo parou, que o universo ficou em silêncio para espiar por de trás das cortinas este novo anjinho nascendo! Entreguei-me a estes segundos mágicos e deliciei-me com a surpresa ainda não desvendada: se nós éramos pais de um menino ou de mais uma menina.

Fico ali, aterrissando aos poucos, tremendo um pouco de tanta emoção e força que passaram pelos meus corpos. Parte minha parecia ter feito tudo isso com muita naturalidade – com uma sabedoria milenar e celular deste ato fisiológico. Parir foi tão natural e fácil como ir ao banheiro (por menos romântico que isso soe!). E outra parte minha estava rodeada de veneração, de respeito e gratidão por esta graça em poder dar à luz de maneira tão fácil, tão suave, tão prazerosa, tão amorosa e familiar.

Abri a toalha e vi: uma menina! Mais uma menina! Claro, nesta ocasião de tanta cura e união do feminino da minha família só podia nascer outra menina.

Então, era hora de celebrar e agradecer. Minha avó e meu marido se abraçaram com olhos cheios de lágrimas. Minha filha Emilia precisava de mim agora; veio até mim, beijei-lhe, perguntei como estava e lhe apresentei sua irmãzinha.

Nossa Emilia, apesar dos seus três aninhos na época, pode ver sua irmãzinha nascendo de maneira natural e sem dor, em união com a família. Tenho certeza da importância desta experiência na formação da imagem que ela levará consigo sobre o parto. Quanta gratidão em poder ter tido ela junto a nós neste momento tão mágico!

Vinte minutos depois “nasceu a placenta”, íntegra, perfeita e linda! Em breve compartilho minha experiência com esta placenta.

Foi assim, então, na maior naturalidade do mundo, dentro da nossa “bolha” caseira, com nossos cheiros, vozes e toques que nasce a Luma, a luz por trás de todas as coisas – significado deste nome de origem tibetana. Ela veio ao mundo em uma sexta-feira de lua crescente e dezoito dias depois da data prevista, exatamente como sua irmã mais velha, Emilia. Com o terceiro bebê levarei isso em conta! 🙂

E hoje, um ano e oito meses depois do seu nascimento, sou eterna gratidão por esta oportunidade de ser mãe desta menina, por ter podido oferecer meu corpo como canal para sua chegada à Terra e a ter recebido desta maneira tão linda e suave.

E assim tem sido nossa relação com ela: linda, suave, fácil e amorosa – assim como o seu parto.

Sou grata pelas várias chances de crescimento que minhas filhas me proporcionaram e posso dizer que nada me transformou tanto como esta experiência de ser mãe!

10 Responses

  1. Grazi

    Que lindo Bá! Tenho certeza que vai servir de inspiração e ajuda para muitas mamães! Parabéns

    • Barbara Zimmermann

      Obrigada Grazi! Esta tem sido uma das minhas grandes motivações, quebrar com a imagem que muitas de nós temos de que parto é sinônimo de dor, de desespero e de sofrimento. Dar à luz à um filho pode ser uma das experiências mais prazerosas de nossas vidas! Beijos

    • Barbara Zimmermann

      Oi Roberta, obrigada pela tua linda mensagem! Fico muito feliz em ver que esta experiência que eu tive também ressoa no coração de outras pessoas. E fazer uso desta ferramenta virtual para compartilhar, unir e inspirar, é MARAVILHOSO! Um beijo.

  2. MARESSA

    Achei muito lindo e puro seu relato, sua sensibilidade, passei para meu marido ler ontem e hoje de manhã foi nosso assunto (prazeroso) no café da manhã.

    • Barbara Zimmermann

      Prazeroso foi teu comentário Maressa!! Que alegria! Te agradeço pelas palavras e fico feliz em saber que minha experiência também ressoa positivamente em vocês. Abraços.

  3. Camila

    Bárbara, que relato incrível! Lindo, puro, emocionante. Sem sombra de dúvidas uma inspiração para mamães como eu. Grande beijo.

  4. Alessandra

    Obrigada Barbara por seu compartilhar tao lindo e inspirador, eu ainda n’ao tive meu primeiro filho, mas ja me enche de esperaranças muito positivas!

    • Barbara Zimmermann

      Alessandra querida, obrigada pelas tuas palavras! Fico feliz que meu relato pode abrir este espaço de positividade e alegria dentro de ti no que se refere a gestaçao e ao parto. Grande beijo

  5. furtdso linopv

    As I web-site possessor I believe the content material here is rattling fantastic , appreciate it for your hard work. You should keep it up forever! Good Luck.

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